terça-feira, 26 de abril de 2011

Prevenção do Afogamento na Formação e Rotina dos Guarda Vidas

Por: Paulo Adilton dos Santos Borges & Luciana Grassenferth Araújo. 
Acesso em http://osniguaiano.blogspot.com/2010/12/prevencao-do-afogamento-na-formacao-e.html
Centro de Ciências da Saúde e do Esporte-Cefid , Universidade do Estado de Santa Catarina & Laboratório de Biomecânica Aquática. Centro de Ciências da Saúde e do Esporte. Universidade do Estado de Santa Catarina.


RESUMO
O seguinte estudo objetivou realizar uma revisão sistemática a respeito da produção científica do seguinte assunto prevenção do afogamento na formação e rotina dos guarda-vidas, produzida no período de 2001-2010. Os procedimentos realizados para a seleção de materiais que dariam apoio a pesquisa teve como base de dados o Google Acadêmico e a Biblioteca do Grupamento de Busca e Salvamento – GBS – do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina – CBMSC, ocasionando uma revisão detalhada dos artigos cadastrados e a identificação de artigos de pesquisas científicas através de buscas simples e o cruzamento dos temas, pesquisado como categoria principal “formação dos guarda-vidas” ou “lifeguard formation” identificando-se 394 estudos na versão eletrônica e 23 estudos advindos da biblioteca do GBS. Realizando o cruzamento de temas da categoria principal com a subcategoria, neste caso, o descritor “prevenção de afogamento” ou “Drowning prevention”. Este procedimento identificou 40 trabalhos. A análise preliminar da relevância dos artigos aos termos investigados permitiu identificar 16 estudos relevantes, selecionando 11 destes como base para a realização da revisão e exemplificação do respectivo artigo. A análise dos conteúdos foi realizada utilizando as ferramentas de unidades de significância e reagrupamento temático. As apresentações descritivas, expõem as características metodológicas e os resultados, e sintéticas, resumindo as informações, verificando criticamente, visando o entendimento global dos estudos, sem, no entanto, negligenciar os aspectos específicos de cada uma das produções científicas investigadas.
Palavras-chave:Guarda-vidas; Prevenção de Afogamentos;Formação dos guarda-vidas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através da realização da revisão sistemática sobre o tema proposto foi possível constatar alguns estudos relacionados à afogamentos, prevenção do afogamento, aspectos relacionados ao dia a dia do guarda-vidas, entre outros, porém se tratando de trabalhos que relacionam a importância da formação deste profissional junto a prevenção de afogamentos, pouco foi pesquisado, proporcionando ao profissional de Educação Física uma área bastante vasta e promissora.
Constando a formação como base inicial de qualquer aprendizado, informações verídicas sobre o que é estudado devem se apresentadas, como também meios de lidar com elas, e a respeito disso conforme o estudo, a prevenção do afogamento deve estar presente como filosofia básica e pilar fundamental de aprendizado e desenvolvimento nos cursos de formações dos nossos guarda-vidas.
Com uma base forte relacionada a prevenção de afogamentos na sua formação, o guarda-vidas na sua rotina diária de trabalho, terá muito mais conhecimento das responsabilidades e deveres que regem o seu serviço, contribuindo para termos em nossa sociedade resgatistas cada vez mais responsáveis, conscientes e totalmente qualificados.
Portanto, apesar de termos alguns estudos relacionados às temáticas formação dos guarda-vidas e à prevenção de afogamentos, estudos levando a inter-relação dos mesmos para a criação de uma nova ideologia de aprendizado ainda são poucos, devendo caber ao profissional de Educação Física fazendo parte também do seu aprendizado desenvolver pesquisas sobre este assunto, gerar conhecimentos novos e consequentemente uma melhora profissional dos guarda-vidas no aspecto prevenção de afogamentos dentro do salvamento aquático.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
.A New Definition of Drowning: Towards Documentation and Prevention of a Global Public Health Problem. Bull World Health Organ, Genebra, v. 83, n. 11, Nov. 2005.
.CIPRIANO JÚNIOR, Zevir Aníbal. O perfil do afogado no litoral centro-sul do Estado de Santa Catarina. 2007. Monografia (Curso de Formação Oficial Bombeiro Militar – Tecnólogo em Gestão de Emergências). Universidade do Vale do Itajaí. Centro Tecnológico da Terra e do Mar. São José, 2007.
.CLARINDO, Diogo de Souza. Prevenção: da importância à prática do salvamento aquático. 2007. Monografia (Curso de Formação Oficial Bombeiro Militar – Tecnólogo em Gestão de Emergências). Universidade do Vale do Itajaí. Centro Tecnológico da Terra e do Mar. São José, 2007.
.GUAIANO, Osni Pinto. 2001. Relato de Experiência Teoria de Controle do Afogamento. Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático(SOBRASA). Bauru – SP. 2001.
.GUAIANO, Osni Pinto. 2006. A Intervenção do Profissional de Educação Física no Controle do Afogamento. Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático(SOBRASA). Rio de Janeiro – RJ. 2006.
.INSTITUTO DE SOCORRO A NÁUFRAGOS – ISN. Manual do Nadador Salvador. ISN, Caxias, Portugal, 2008.
.JOSÉ, Rafael Manoel. Salvamento aquático: o que sabemos sobre isso? 2007. Monografia (Graduação em Licenciatura Plena em Educação Física) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2007.6
.MODELL, Jerome H. 2010. Prevention of Needless Deaths from Drowning. University of Florida College of Medicine, Gainesville, Fl, 2010.
.MOCELLIN, Onir. 2001. Análise do Processo de Qualificação Salva-Vidas: Aproximação a um Modelo Ideal para Santa Catarina. Monografia (Pós Graduação “Latu Sensu” em Segurança Pública) – Polícia Militar do Estado de Santa Catarina, Universidade do Sul de Santa Catarina - UNISUL, Florianópolis, 2001.
.MOCELLIN, Onir. 2005. Analise do nível de risco público ao banho de mar das praias arenosas do litoral centro norte de Santa Catarina. Dissertação de Mestrado em Ciência e Tecnologia Ambiental, UNIVALI, 2005.
.MOCELLIN, Onir. 2009. Afogamento no Estado de Santa Catarina: Diagnóstico das Mortes Ocorridas entre os Anos de 1998 e 2008. Monografia apresentada ao Curso de Especialização Lato Sensu em Administração Pública com ênfase na Gestão Estratégica de Serviços de Bombeiro Militar. Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL, Florianópolis, 2009.
.THE JOURNAL OF OCCUPATIONAL HEALTH AND SAFETY. Prevention of drowning: visual scanning and attention span in lifeguards. AUST NZ 1999; 15(3): 208-210.
.SZPILMAN, D Orlowski PJ; Afogamento, Revista Soc. Cardiol. Estado de São Paulo (SOCESP) - 2001, 2:390-405.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A Natação de Resgate




A Natação de Resgate é uma técnica de resgate onde Bombeiros ou outros aprendem a desenvolver uma capacidade e habilidade de nadar para si e para a vítima, sacrificando inclusive a utilização de um dos membros superiores ou até mesmo dos dois, no intuito de manter a cabeça da vitima fora da água, livrando-a da inundação do aparelho respiratório. “Neste contexto a natação de resgate é um importante instrumento que contribui para melhorar a força, a resistência, a velocidade e a flexibilidade, além da coordenação, agilidade e ritmo” (GUAIANO, 2005). Além de proporcionar um relacionamento interpessoal em seus praticantes também podemos considerá-la como educadora, ao contrário das visões de que se tem da natação moderna de ser um esporte solitário e disciplinar, aonde o praticante vai a piscina para cumprir aquele treino do dia de forma metódica. 

A Natação Resgate consiste em técnicas ou estilos diferentes de 03 dos principais nados tradicionais (crawl, peito, costas), sendo caracterizado por uma mescla entre os estilos “crawl” e “peito” com o corpo em uma posição lateral com movimentos fortes dos membros inferiores em forma de “tesouradas”, com ou sem a utilização de nadadeiras e o reboque com pernada de “peito”, mas com o corpo em decúbito dorsal sem utilização dos membros superiores. Outra técnica conhecida seria o “Crawl pólo” utilizada para a aproximação da vítima de afogamento, fazendo referência ao estilo dos atletas de Pólo Aquático, onde se mantém o rosto do jogador fora da água com a coluna cervical em hiper extensão pra visualização da jogada e da bola, no caso do Guarda-Vidas este rosto fora da água também é de suma importância para visualização da vítima de afogamento a todo o momento, principalmente em águas abertas e/ou escuras onde ela pode submergir enquanto a cabeça do nadador esta dentro da água, assim perdendo o contato ou a localizando o afogado com um tempo maior, o que pode ser prejudicial à sua saúde. Mas existe a opção também pelo nado “peito” para essa aproximação da vítima já que devido a sua estabilidade na água proporciona ao GV ou nadador a melhor manutenção da cabeça fora da água por um tempo maior, permanecendo com ela fora da água, nisto sua respiração também é favorecida.
Mas em todo este processo o nadador tem de possuir algumas habilidades individuais básica. Palmer (1990) traz em seu livro estas habilidades em forma de capacidades, que são:
·         Capacidade de nadar 400 metros em 15 minutos.
·         Capacidade de executar (com eficácia) 03 dos 04 estilos de natação, sendo que um dos 03 deve ser o nado “peito”.
·         Capacidade de se sustentar na água em posição vertical com uso de remadas e/ou pernadas.
·         Capacidade de mergulhar (canivete) e saltar na água.
·         Capacidades essas que são de suma importância para aproximação, o desvencilhamento e o reboque com retirada da vitima da água.

Mas assim como afirma (GUAIANO, 2005 p. 28), somente com treinamento você se pode enfrentar situações de risco como: correnteza, marolas, escuridão, baixa temperatura, galhadas, e outros. Por isso a necessidade de ensinos específicos como o reboque e o judô aquático (desvencilhamento) dentre outros.


GUAIANO, O. P.:O Emprego dos Elementos do Surf no Salvamento Aquático: concepções de professores e alunos do curso de graduação em Educação Física. Monografia para obtenção do grau de Graduado em Educação Física, Unip – Bauru, 2005.

MARCELINO, C.; et al. Correlação entre as capacidades físicas básicas e o índice de capacidade de trabalho em bombeiros do Estado do Rio de Janeiro. Revista de Educação Física. 2009 Mar: 144: 36-44. Rio de Janeiro – RJ-Brasil.

PALMER M.L. A ciência do ensino da natação. São Paulo: Manole, 1990.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

EFEITO DO TREINAMENTO FÍSICO SOBRE O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO E O NÍVEL DE APTIDÃO FÍSICA DE BOMBEIROS

RESUMO
O presente estudo teve como objetivo verificar a influência do treinamento físico sobre o processo de envelhecimento e o nível de aptidão física de bombeiros durante um período de sete anos. Participaram do estudo homens da faixa etária atual de 33 a 42 anos e o período de acompanhamento foi entre os anos de 1995 e 2002. Na avaliação da capacidade aeróbica foi utilizado o teste de correr/andar de 12 minutos de Cooper e para a mensuração da potência anaeróbica o teste de corrida de 40 segundos de Matsudo. A mensuração do peso e altura foi realizada para a determinação do índice de massa corporal (IMC). Estes testes foram aplicados em 1995, em uma amostra de 40 homens escolhidos de forma aleatória e, reaplicados em 38 dos 40 homens em 2002. Os resultados do teste de 12 minutos (consumo máximo de oxigênio) mostraram que o treinamento físico ajuda a manter o nível de aptidão física de acordo com a idade. No teste de 40 segundos, os resultados mostraram uma perda percentual relativamente baixa da potência anaeróbica em relação ao padrão esperado. O IMC praticamente manteve-se no limite do peso normal. De acordo com os resultados da pesquisa, chega-se à conclusão de que o treinamento físico aeróbio (corrida e natação) e anaeróbio (treinamento de força e futebol), realizado de 3 a 4 vezes por semana durante 7 anos, ajuda a manter o nível de aptidão física (VO2máx e potência anaeróbia) em homens na faixa etária de 26 a 35 anos (idade inicial). Além disso, também se verificou a manutenção do índice de massa corporal dentro do limite
normal.

CONCLUSÃO
De acordo com os resultados da pesquisa, chega-se à conclusão de que o treinamento físico aeróbio (corrida e natação) e anaeróbio (musculação e futebol) realizado de 3 a 4 vezes por semana durante 7 anos ajuda a manter o nível de aptidão física, em especial a capacidade aeróbica, sendo importante também para a manutenção da potência anaeróbia em homens na faixa etária de 26 a 35 anos (idade inicial). Além disso, esse treinamento teve importante papel na manutenção do índice de massa corporal do grupo.


DALQUANO, C. H., NARDO JÚNIOR, N., CASTILHO, M. M. Efeito do Treinamento Físico sobre o processo de envelhecimento e o nível de Aptidão Física de Bombeiros. Revista da Educação Física, Maringá, v. 14, n. 1, p. 47- 52, 2003.


terça-feira, 12 de abril de 2011

As Nadadeiras e a Natação

Mergulhadores e Guarda-Vidas e alguns Nadadores, usam Nadadeiras (pés de pato) há anos, mas só a pouco tempo começou-se a estudar as verdadeiras razões do seu prolongado uso. Há quatro razões básicas para se usar pés de pato nos treinos de natação:

  • Melhorar a flexibilidade dos tornozelos
A principal razão é a flexibilidade dos tornozelos que funcionam como ganchos, o que faz com que as pessoas nadem para trás. Os bons nadadores, ao contrário, alongam os tornozelos de modo que os artelhos formem uma linha reta com a perna. Por causa da carga extra com o aumento da superfície dos pés de pato, há um alongamento dos tornozelos ao bater a perna. Seu uso constante os alonga, aumentando sua flexibilidade para se movimentar em todas as direções, tornando a batida de perna muito mais eficiente.

  • Aumentar a aptidão física e condicionamento cardiovascular
Embora a natação seja considerada um dos melhores exercícios aeróbicos, muitas pessoas esquecem de usar as pernas, onde se localizam os maiores músculos. Todos sabem que quanto mais músculos do corpo forem usados, maiores serão os benefícios cardiovasculares, (é por isso que o remo e o cross-coutry ski são considerados dois dos esportes mais eficientes) faz sentido que os nadadores que usam os grandes músculos das pernas se beneficiem com um treino mais forte que queima calorias e aumenta o nível de aptidão. Os pés de pato, ao ajudarem o alongamento das pernas aumentam o trabalho do sistema cardiovascular e como conseqüência, uma melhor aptidão física éalcançada.

  • Aumentar a força de perna
Bater perna com pés de pato é o mesmo que levantar pesos; a resistência da água ao tamanho do pé de pato exige mais dos músculos usados. Músculos mais fortes puxam mais água, fazendo com que a pessoa nade mais depressa.

É preciso ter em mente que os pés de pato desenvolvem a força muscular das pernas especificamente para a natação do mesmo modo que os corredores, ciclistas, etc... Têm músculos fortes das pernas, porém treinados para estas atividades. A força das pernas adquirida com os pés de pato é uma das maiores, se comparada com os outros exercícios.

  • Melhorar a posição do corpo e a técnica
As nadadeiras acrescentam propulsão extra à braçada, o que aumenta a velocidade do nadador. Os bons nadadores deslizam horizontalmente à superfície da água, enquanto os que não nadam bem, arrastam as pernas em posição quase vertical, o que os atrasa. Um dos objetivos de nadar com velocidade usando nadadeiras (pés de pato) é nadar também mais rápido ao tirá-lo, transferindo a sensação de nadar mais rápido na superfície com os pés de pato a nadar também mais rápido e mais leve sem eles, o nadador usa um fenômeno conhecido como padrão neuromuscular.
Os músculos e nervos lembram a sensação de nadar mais depressa e tentarão duplicar o padrão na próxima vez. Quanto mais vezes se repetir o padrão (nadar mais rápido e mais na superfície com as nadadeiras), mais fácil será duplicá-lo sem eles. O resultado será: a técnica do nadador e a coordenação neuromuscular melhoram muito.

Tipos de pés de pato eficientes

O tipo de pés de pato que devem ser usados atualmente, precisam apresentar as seguintes características:


  1. Devem ser de material bem flexível, para aproveitar os movimentos da água, mantendo a coordenação dos movimentos;
  2. A lâmina deve ter forma curva para imitar o rabo dos peixes e cortar a água com mais eficiência;
  3. Devem concentrar a força bem atrás no pé para que todos os músculos da perna sejam utilizados. São os grandes músculos da coxa que precisam ser trabalhados, para que se obtenha uma batida de perna mais forte e mais veloz.


Trazendo para o salvamento aquático Guaiano (2005) discute que o uso de nadadeiras (pé-de-pato) no treinamento da pernada na natação de resgate é indispensável para a correção do movimento e para uma melhor execução, trazendo um fortalecimento da musculatura das pernas, em virtude de sua carga extra feita de borracha e de possuir um maior contato com a água através de sua pala, o que provoca o alongamento dos tornozelos, aumentando assim sua flexibilidade. Ainda existe o fator de aumento da aptidão uma vez que as pernas possuem grandes músculos, exigindo um maior trabalho cardiovascular.

Nas palavras de Farinatti (2000) “Tornozelos flexíveis significam uma maior possibilidade de aplicação efetiva de força na fase propulsiva da pernada em todos os estilos”. Ainda segundo ele o nadador dos nados crawl, costas e borboleta que possuem uma boa flexão plantar farão com que os pés do nadador impelirão a água para traz e para baixo e cima em uma angulação que proporcionara melhor propulsão. Marino citado por Farinatti (2000), diz que no caso do nado peito a melhor execução se dará na flexão dorsal. Este que de acordo com Sampaio (2008) é o nado onde a pernada apresenta uma maior importância comparada aos outros estilos, e que sua eficiência depende muito da flexibilidade das articulações dos membros inferiores.

FARINATTI, P.T.V. Flexibilidade e Esporte: Uma revisão da literatura. Revista Paulista de Educação Física. São Paulo, 14(1): 85-96, jan./jun. 2000.
GUAIANO, O. P.:O Emprego dos Elementos do Surf no Salvamento Aquático: concepções de professores e alunos do curso de graduação em Educação Física. Monografia para obtenção do grau de Graduado em Educação Física, Unip – Bauru, 2005.
SAMPAIO, T. R.: Estudos Técnicos de Natação: Prevalência do Erro Técnico em Nadadores Pré-Juniores de Nível Nacional. Monografia. Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física. Coimbra, 2008.
SOUZA, F.G. A Natação no Corpo de Bombeiros Militar da Cidade de Goiânia: Uma Análise CríticaMonografia para obtenção do grau de Graduado em licenciatura em Educação Física, UFG - Goiânia, 2010.

domingo, 10 de abril de 2011

Princípio de Bernoulli e a Natação


Segundo este princípio, quando um avião se move para frente, a corrente de ar é desviada por cima e por baixo da asa. Como a parte de cima da asa tem um formato curvo e a parte inferior é plana, a distância que o ar tem que percorrer na parte superior da asa é maior.

De acordo com Bernoulli, o ar que passa sobre a asa será acelerado, de forma que chega ao final da asa ao mesmo tempo que o ar flui por baixo. Esta diferença de velocidade do deslocamento do ar gera uma diferença de pressão entre a parte superior e inferior da asa, sendo a maior pressão exercida na parte inferior da asa. Como os fluidos (o ar e a água são fluidos) se deslocam de uma área de alta pressão para uma baixa pressão, e exercida uma força ascendente que sustenta o avião, da mesma forma que o corpo do nadador. Poderíamos então perguntar: como o nadador se utiliza deste princípio, se não tem asas? A resposta é bem simples. A forma de concha assumida pelas mãos do nadador durante o deslocamento assemelha-se à das asas do avião, se vista de perfil, sofrendo, portanto, os mesmos efeitos.

Uma aplicação adequada e eficiente dos mecanismos envolvidos na propulsão não é suficiente para assegurar um desempenho competitivo. A diminuição da resistência hidrodinâmica é um outro fator que deve ser considerado quando se lida com performances.

Abaixo seguem as definições de 3 formas de resistência encontradas pelo nadador, e alguns procedimentos que podem ser adotados para minimizar esta resistência.

Resistência da forma - É, a resistência que o corpo do nadador sofre durante o deslocamento. Movimentações laterais e verticais de quadril, causadas por recuperação inadequada do braço e rolamento errado do tronco e do pescoço durante a respiração, são fatores que rompem o alinhamento do corpo e contribuem para o aumento da resistência

Resistência de ondas - Este tipo de resistência é causado pela turbulência na superfície da água. A famosa briga com a água, muitas vezes vista em nadadores ineficientes, é um fator que aumenta muito este tipo de resistência e que deve ser corrigido. Deve-se procurar entrar com a mão na água fazendo movimentos suaves, com uma inclinação e ângulo de mão e punho adequados. Os triatletas, independente de sua qualidade técnica sofrem muito esse tipo de resistência, já que na maior parte das competições a natação é no mar.

Resistência de atrito - É a resistência oferecida pela superfície áspera da pele do nadador ao deslocamento. A raspagem dos pelos, o uso de toucas de borracha e, no caso dos triatletas, roupa de neoprene, diminuem este tipo de resistência.

Sempre que empurramos a água com as mãos há uma grande perda de energia, e somente uma pequena parte de todo aquele esforço se transforma no mais importante para nós: deslocamento. Desta forma, fica claro que, no treinamento de natação, não basta apenas um bom condicionamento fisiológico para se nadar bem, sendo preciso também uma técnica apurada que permita um bom rendimento. E uma boa maneira de se constatar isso é sentando na borda da piscina e observando o nível de esforço que as pessoas fazem ao nadar. Será que os nadadores mais rápidos estão fazendo mais esforço do que os que nadam mais lentamente? Claro que não! Eles simplesmente são mais eficientes, e é isso que se deve aprimorar no treinamento, a eficiência.

Para o atleta, um bom método de se avaliar a eficiência do seu nado é a medida do comprimento de sua braçada (CB). Há uma fórmula bastante simples para se calcular isso: dividi-se a distância nadada pelo número de braçadas.

Exemplo: se um nadador deu vinte braçadas para percorrer 25m, seu comprimento de braçada foi de 2,5m, o que caracteriza como um nadador altamente eficiente.

Em resumo, poderíamos dizer que, quanto maior o comprimento da braçada, mais eficiente é o nadador. Então, para melhorarmos isso, ou aumentamos a distância nadada para um mesmo número de braçadas, ou diminuirmos o número de braçadas para uma mesma distância nadada, o que no fundo é a mesma coisa. Como fazer isso? Treinamento técnico, apenas.

Um aspecto fundamental no treinamento técnico, é que não se trata simplesmente de pegar uma pranchinha e sair dando pernadas, ou então braçadas com o uso de um pullbuoy. A primeira coisa a ser feita é saber o que está errado no seu nado, e, a partir dai, escolher o educativo mais adequado para se corrigir o erro. Do contrário, estaremos apenas batendo braços e pernas inutilmente.

sábado, 9 de abril de 2011

O SALVAMENTO AQUÁTICO NO CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DE SC


No Brasil tradicionalmente os corpos de bombeiros desempenham a atividade de salvamento aquático. No Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina o salvamento aquático é relativamente jovem quando comparado a outras atividades afins da Corporação.
O início da atividade foi fomentado nos primórdios da década de 60, quando um balneário catarinense começou a se destacar no cenário nacional. Possuidor de belezas naturais paradisíacas, o Balneário de Camboriú registrava a cada ano um número crescente de turistas em suas praias, porém como o balneário era desprovido do serviço de salvamento aquático infelizmente algumas vidas foram perdidas. Com o objetivo de dar fim a este calamitoso quadro, a exemplo do que já ocorria em outras unidades da federação, foi solicitado ao então Corpo de Bombeiros da Polícia Militar de Santa Catarina que passasse a exercer a prevenção e o atendimento emergencial aos banhistas que freqüentavam a praia de Balneário de Camboriú.
Sabedor de sua responsabilidade para com a gente catarinense, o Corpo de Bombeiros Militar não se omitiu e aceitou o desafio. Após selecionar na sua tropa um grupo de 12 (doze) bombeiros militares, que possuíam as melhores condições para atuar no serviço de salvamento aquático, ofereceu um breve treinamento a estes bravos soldados no intuito de prepará-los para a árdua missão que teriam que cumprir.
Finalmente em dezembro de 1962, doze bombeiros militares foram destacados para a praia de Balneário Camboriú onde permaneceram até fevereiro de 1963, exercendo a atividade de salvamento aquático. Esta nova atividade exercida pelo Corpo de Bombeiros Militar passou a se chamar Serviço de Salvamento Marítimo - SSM.
No dia 22 de dezembro de 1971, através do Art. 1º da Lei nº 4.679, foi criado no Corpo de Bombeiros Militar a Companhia de Busca e Salvamento - CBS, que no transcurso deste ano teve todo o seu efetivo destacado para atuar na praia de Balneário Camboriú. Um contingente de 45 (quarenta e cinco) bombeiros militares que atuou em inúmeros salvamentos, conquistando o respeito e a confiança do povo barriga verde, que logo passou a se orgulhar dos salva-vidas do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina.
Nos anos seguintes a Companhia de Busca e Salvamento passou a atender outros balneários do litoral catarinense, ampliando a sua área de atuação. No ano de 1972, a Ilha de Santa Catarina recebeu pela primeira vez, durante o verão, o atendimento dos salva-vidas do Corpo de Bombeiros Militar, praias como Jurerê e Canasvieiras inicialmente recebiam apenas rondas com lanchas, sendo progressivamente instalado o serviço de salvamento aquático nas principais praias de Florianópolis.
Em 1973 foi a vez da praia do Rincão, no litoral sul catarinense, receber o valoroso atendimento dos salva-vidas do Corpo de Bombeiros Militar. Dando continuidade ao processo de expansão, no ano de 1974 as praias de Ubatuba, Enseada, Piçarras e Barra Velha, no litoral norte catarinense, foram atendidas. E assim sucessivamente todo o litoral catarinense, nos anos seguintes, passou a receber o serviço de salvamento aquático da Companhia de Busca e Salvamento.
Em 1979, através da Lei nº 5.522, foi criado o Sub-Grupamento de Busca e Salvamento - SGBS , onde se destacava dentre as várias missões a de prestar socorro em casos de afogamento, bem como planejar, executar, coordenar e supervisionar as missões de prevenção e salvamento aquático no Estado de Santa Catarina.
No ano de 1983, através da Lei nº 6.216, cria-se o Grupamento de Busca e Salvamento - GBS.
No ano de 1995, o GBS recebe a denominação de 3º Batalhão de Bombeiros Militar - 3º BBM.
E finalmente no ano de 1997, com a transferência da sede do 3º BBM para a cidade de Blumenau, a OBM passa a se denominar 2ª Companhia de Bombeiros Militar do 1º Batalhão de Bombeiro Militar - Grupo de Busca e Salvamento .
A característica principal desta unidade ao longo de sua história foi à forma técnica e profissional com que seus integrantes sempre trataram a atividade de salvamento aquático, nunca esmorecendo ao se deparar com uma vítima que precisava de socorro, mesmo que isso significasse o risco de sua própria vida.
Com o passar dos anos muitas técnicas foram incorporadas a atividade, fruto de pesquisas e aprimoramentos do próprio do corpo de salva-vidas catarinense, que sempre procurou exercer a missão com eficácia e excelência. Neste sentido no ano de 1991, os salva-vidas do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina foram os pioneiros no sul do país a utilizar moto aquáticas na atividade de salvamento aquático, sendo a praia piloto a receber este eficiente equipamento a Joaquina na Ilha de Santa Catarina. O reconhecimento desta dedicação se deu no ano de 1998, quando um grupo de salva-vidas do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, apresentou durante o Congresso Nacional de Salvamento Aquático, na cidade do Rio de Janeiro, uma palestra sobre as técnicas de salvamento com o uso do moto aquática desenvolvidas no Estado de Santa Catarina.
No ano de 2002, através da Lei nº 12.470, o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina mostrou mais uma vez o seu pioneirismo, ao sensibilizar o governo do Estado a enviar para a Assembléia Legislativa um projeto de Lei que autorizava o executivo estadual a contratar salva-vidas civis, que sob supervisão dos salva-vidas militares do Corpo de Bombeiros passaram a se engajar na atividade de salvamento aquático durante os meses de verão, propiciando aos banhistas maior segurança e contribuindo para que os índices de ocorrências sejam reduzidos ao final de cada temporada.
Dessa forma os profissionais desta OBM continuam sua labuta diária na busca constante por técnicas e equipamentos que otimizem as suas atividades, sempre procurando ajudar aqueles que necessitem de socorro, honrando o lema dos salva-vidas catarinenses: "A QUALQUER TEMPO, A QUALQUER HORA EM QUALQUER MAR".


ZEFERINO, Helton de Souza. O Salvamento Aquático no Corpo de Bombeiros Militar de SC.Disponível em: http://www.cb.sc.gov.br. Acesso em 30 ago. de 2009.